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Intoxicação por monóxido de carbono — suspeita, carboxi-hemoglobina, O2 a 100% e câmara hiperbárica

Família inteira com cefaleia e náusea depois de dormir com aquecedor ligado — como confirmo CO e quem vai para câmara hiperbárica?

Red flags — sinais de gravidade

  • Confiar na SpO2 do oxímetro de pulso e liberar: ele não detecta COHb — pode estar 98% com intoxicação grave.
  • Rebaixamento de consciência, síncope, convulsão, déficit neurológico ou isquemia miocárdica: intoxicação grave, considerar câmara hiperbárica e monitorização.
  • Vítima de incêndio com acidose láctica e hipotensão desproporcionais: suspeitar de cianeto associado e considerar antídoto (hidroxocobalamina) conforme protocolo.
  • Alta precoce sem O2 suficiente: a meia-vida da COHb cai muito com O2 a 100% — interromper cedo prolonga a exposição tecidual.
  • Gestante com exposição: risco fetal alto mesmo com COHb materna aparentemente moderada — discutir hiperbárica.
  • Síndrome neurológica tardia (déficit cognitivo, alterações de comportamento dias a semanas depois): orientar e reavaliar; a recuperação inicial não exclui sequela.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Contexto de exposição: incêndio em ambiente fechado, aquecedor/fogão a gás, gerador, escapamento, braseiro — várias pessoas do mesmo ambiente com sintomas iguais é pista forte.
  • Sintomas inespecíficos: cefaleia, náusea, tontura, mal-estar; nos casos graves confusão, síncope, convulsão, coma, dor torácica.
  • Oximetria de pulso comum não distingue carboxi-hemoglobina de oxi-hemoglobina — SpO2 pode vir falsamente normal; não se tranquilizar com ela.
  • Dosar carboxi-hemoglobina (COHb) na gasometria com co-oximetria (arterial ou venosa) para confirmar e quantificar.
  • Perguntar tempo e intensidade da exposição e se houve perda de consciência — marcador de gravidade.
  • Gestante: feto é especialmente vulnerável (hemoglobina fetal liga mais CO) — baixar o limiar de tratamento.
  • Em incêndio, pensar em intoxicação combinada por cianeto (fuligem em boca/nariz, acidose láctica, hipotensão) — não é só CO.
  • ECG e avaliação de isquemia em cardiopata ou dor torácica — CO desloca a curva e reduz entrega de O2 ao miocárdio.

Conduta inicial

  1. 1Retirar a vítima da fonte e ofertar oxigênio a 100% com máscara não reinalante o mais cedo possível — reduz a meia-vida da COHb de horas para dezenas de minutos.
  2. 2Manter O2 a 100% até melhora clínica e queda da COHb; não titular pela SpO2 do oxímetro comum.
  3. 3Dosar COHb por co-oximetria para confirmar e acompanhar; tratar pela clínica + nível, não só pelo número.
  4. 4Avaliar critérios para oxigenoterapia hiperbárica (recomendação nível C, ACEP): perda de consciência, sintomas neurológicos, isquemia miocárdica, gestante, COHb muito elevada — discutir com serviço que disponha da câmara.
  5. 5Suporte: via aérea, monitorização, acesso venoso; ECG e troponina se dor torácica/cardiopatia.
  6. 6Vítima de incêndio com suspeita de cianeto: considerar hidroxocobalamina e evitar atrasar por dosagem, conforme protocolo institucional.
  7. 7Investigar e tratar lesão por inalação/queimadura de via aérea associada quando houver.
  8. 8Notificar/orientar sobre a fonte (vazamento, aquecedor, gerador) para evitar reexposição e novas vítimas no mesmo ambiente.

Exames

  • Carboxi-hemoglobina por gasometria com co-oximetria (arterial ou venosa) — exame que confirma; oxímetro de pulso comum não serve.
  • Gasometria com lactato: lactato muito alto em vítima de incêndio sugere cianeto associado.
  • ECG e troponina se dor torácica, cardiopatia ou intoxicação grave.
  • Considerar imagem/avaliação neurológica em déficit persistente; glicemia e outras causas de rebaixamento em paralelo.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Jejum ou dieta conforme nível de consciência e risco de rebaixamento ___

Soro

  • Hidratação venosa conforme estado hemodinâmico: soro fisiológico 0,9% ___ mL, gotejamento ___

Medicamentos

  • Oxigênio a 100% com máscara não reinalante ___ L/min, manter até melhora clínica e queda da COHb
  • Suspeita de cianeto (incêndio, acidose láctica, hipotensão): hidroxocobalamina ___ mg conforme protocolo ___
  • Analgesia/sintomáticos conforme necessidade: dipirona ___ mg até ___/___h
  • Manejo de convulsão se ocorrer: benzodiazepínico ___ mg ___

Recomendações

  • Não titular oxigênio pela SpO2 do oxímetro comum — usar clínica e COHb
  • Avaliar critérios de câmara hiperbárica e acionar serviço de referência quando indicado
  • Orientar paciente e família sobre síndrome neurológica tardia e retorno se sintomas cognitivos/comportamentais
  • Corrigir a fonte de CO e checar outras vítimas do mesmo ambiente antes da alta
  • Atenção redobrada com gestantes e crianças expostas

Exames

  • Carboxi-hemoglobina (co-oximetria) na admissão e seriada conforme evolução ___
  • Gasometria com lactato ___
  • ECG e troponina se dor torácica/cardiopatia ___

Referências

  1. [1]Clinical Policy: Use of Normobaric and Hyperbaric Oxygen for Acute Carbon Monoxide Poisoning, American College of Emergency Physicians (ACEP), 2025
  2. [2]Carbon Monoxide Toxicity Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024
  3. [3]Carbon Monoxide Toxicity, StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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