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Emergências pelo calor — exaustão vs heat stroke, resfriamento agressivo e rabdomiólise associada

Trabalhador ou atleta no calor com temperatura altíssima e confuso — é exaustão ou heat stroke, e como esfrio isso rápido?

Red flags — sinais de gravidade

  • Heat stroke é emergência com risco de morte: resfriamento é a prioridade e cada minuto acima da temperatura crítica aumenta o dano — não atrasar por exames.
  • Regra do 'cool first, transport second': iniciar resfriamento agressivo imediatamente, sem esperar transferência.
  • Disfunção neurológica + hipertermia = heat stroke até prova em contrário; não rotular como 'exaustão' e liberar.
  • Urina escura/CK muito alta: rabdomiólise com risco de lesão renal aguda e hipercalemia — hidratar e monitorar.
  • Sinais de CIVD, insuficiência hepática ou renal: falência de múltiplos órgãos, cuidado intensivo.
  • Antipirético (dipirona/paracetamol) NÃO resolve heat stroke — o mecanismo não é febre por prostaglandinas; confiar neles atrasa o resfriamento físico.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • O divisor de águas é o SNC: exaustão pelo calor mantém o estado mental preservado; heat stroke tem disfunção neurológica (confusão, delirium, convulsão, coma) com hipertermia.
  • Medir temperatura central (retal/esofágica), não axilar/timpânica — subestimam e atrasam o diagnóstico; heat stroke costuma passar de 40°C.
  • Contexto: exercício intenso no calor (heat stroke por esforço, jovem/atleta/militar) vs onda de calor em idoso/comorbidade/uso de fármacos (clássico).
  • Pele pode estar suada (esforço) ou seca e quente (clássico) — a ausência de sudorese não é obrigatória para o diagnóstico.
  • Buscar rabdomiólise: mialgia, fraqueza, urina escura, CK elevada — complicação frequente no heat stroke por esforço.
  • Avaliar hidratação, glicemia e distúrbios eletrolíticos (sódio, potássio, cálcio) que acompanham o quadro.
  • Rastrear disfunção de órgãos: coagulação (CIVD), função hepática e renal, que definem gravidade.
  • Revisar medicações e drogas que predispõem/mimetizam (anticolinérgicos, simpaticomiméticos, neurolépticos — diferenciar de síndrome neuroléptica maligna/serotoninérgica).

Conduta inicial

  1. 1Heat stroke por esforço: resfriamento por imersão em água fria/gelada é o método mais eficaz — meta de reduzir a temperatura central rapidamente (WMS 2024); iniciar já no PS/pré-hospitalar.
  2. 2Sem imersão disponível: aspersão de água + ventilação forçada, compressas geladas em pescoço/axilas/virilhas, bolsas de gelo — resfriamento evaporativo agressivo e contínuo.
  3. 3Monitorar temperatura central continuamente e cessar o resfriamento ativo ao atingir ~38,3–38,8°C para evitar hipotermia de rebote (meta WMS 2024).
  4. 4Não usar antipiréticos como estratégia de resfriamento; podem inclusive piorar em disfunção hepática/coagulopatia.
  5. 5Controlar tremores/agitação que geram calor com benzodiazepínico se necessário.
  6. 6Hidratação venosa guiada por estado hemodinâmico; atenção redobrada se rabdomiólise (hidratar para proteger o rim) e corrigir eletrólitos.
  7. 7Suporte ABC, via aérea e proteção em caso de convulsão/rebaixamento; tratar hipoglicemia e distúrbios associados.
  8. 8Exaustão pelo calor (SNC preservado): retirar do calor, repouso, reposição de fluidos/eletrólitos VO ou IV, reavaliar — melhora costuma ser rápida.

Exames

  • Temperatura central (retal/esofágica) — mede e guia o resfriamento; método axilar/timpânico não serve.
  • CK, função renal (ureia/creatinina) e urina para rabdomiólise; potássio pelo risco de hipercalemia.
  • Eletrólitos, glicemia, gasometria com lactato.
  • Coagulograma, função hepática e plaquetas para rastrear CIVD/falência orgânica nos casos graves.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Jejum se rebaixamento/risco de convulsão; dieta conforme evolução na exaustão leve ___

Soro

  • Hidratação venosa guiada por volemia e diurese: soro fisiológico 0,9% ___ mL, gotejamento ___ (ajustar se rabdomiólise para proteção renal)

Medicamentos

  • Resfriamento físico agressivo (imersão em água fria de preferência; alternativa: aspersão + ventilação + gelo) — método terapêutico principal, não é medicamento
  • Benzodiazepínico para tremor/agitação/convulsão: diazepam ___ mg ou midazolam ___ mg ___
  • Correção de distúrbios eletrolíticos conforme dosagem (potássio, sódio, cálcio) ___
  • Evitar antipiréticos como estratégia de resfriamento no heat stroke ___

Recomendações

  • Iniciar o resfriamento antes de transportar ('cool first, transport second')
  • Cessar resfriamento ativo ao redor de 38,3–38,8°C para evitar hipotermia de rebote (WMS 2024)
  • Monitorar temperatura central, diurese e sinais de rabdomiólise/CIVD
  • Orientar prevenção: hidratação, aclimatação, evitar esforço no pico de calor, atenção a idosos e uso de fármacos de risco

Exames

  • CK, função renal e urina para rabdomiólise ___
  • Eletrólitos, glicemia, gasometria/lactato ___
  • Coagulograma, plaquetas e função hepática se quadro grave ___

Referências

  1. [1]Wilderness Medical Society Clinical Practice Guidelines for the Prevention and Treatment of Heat Illness: 2024 Update, Wilderness Medical Society, 2024
  2. [2]Heat Stroke Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024
  3. [3]Heat Stroke, StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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