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Fratura de quadril no idoso — analgesia por bloqueio, profilaxia, cirurgia precoce e prevenção de delirium
Idoso caiu e não consegue apoiar a perna, membro encurtado e rodado — como controlo a dor e organizo para cirurgia sem ele delirar?
Red flags — sinais de gravidade
Atraso cirúrgico injustificado: a diretriz recomenda cirurgia dentro de 24–48h; postergar sem motivo clínico piora mortalidade, dor e complicações.
Analgesia insuficiente ou opioide em excesso: ambos alimentam o delirium — o bloqueio de fascia ilíaca ajuda a equilibrar.
Fratura oculta liberada com raio-X normal apesar de clínica típica: pode ser fratura sem desvio — investigar com RM/TC antes de mandar para casa.
Não profilaxia de TEV em paciente imobilizado com fratura de quadril: alto risco de TVP/TEP.
Ignorar a causa da queda (síncope cardíaca, AVC, hipoglicemia, infecção): tratar só a fratura e perder o gatilho é erro grave.
Repouso prolongado no leito e imobilismo: aumentam delirium, úlcera de pressão, pneumonia e TEV — meta é mobilização e cirurgia precoces.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Quadro clássico: dor em quadril/virilha após queda, membro encurtado e em rotação externa, incapacidade de apoiar/elevar a perna.
Confirmar com radiografia (bacia + quadril/fêmur em incidências adequadas); fratura oculta ao raio-X mas com clínica forte pede RM ou TC.
Avaliar o mecanismo: queda da própria altura em idoso sugere fragilidade — mas rastrear síncope, arritmia, AVC, hipoglicemia como causa da queda.
Dor: instituir analgesia precoce; bloqueio regional (fascia ilíaca) melhora dor e reduz necessidade de opioide.
Rastrear e prevenir delirium desde a admissão: orientação, evitar sondas/contenções desnecessárias, minimizar opioides e anticolinérgicos, corrigir causas.
Otimização clínica pré-operatória sem atrasar a cirurgia: anemia, distúrbios eletrolíticos, controle glicêmico, função renal.
Revisar anticoagulantes/antiagregantes de uso crônico e planejar manejo perioperatório com a equipe.
Avaliar risco de TEV e planejar profilaxia; checar status funcional prévio e suporte social para reabilitação.
Conduta inicial
1Analgesia multimodal com ênfase em bloqueio regional: bloqueio do compartimento da fascia ilíaca (ou PENG) reduz dor e consumo de opioide (AAOS) — poupa o cérebro do idoso.
2Complementar com analgésicos simples (paracetamol/dipirona) e usar opioide na menor dose eficaz; evitar anti-inflamatório/anticolinérgico de rotina no idoso.
3Encaminhar para cirurgia precoce, idealmente em 24–48h, com otimização clínica em paralelo — não usar exames de rotina como pretexto para adiar.
4Protocolo de prevenção de delirium desde o PS: reorientação, óculos/aparelho auditivo, hidratação, sono, mobilização, evitar sondagem/contenção, revisar fármacos deliriogênicos.
5Profilaxia de TEV conforme protocolo (mecânica e/ou farmacológica), ajustando ao momento cirúrgico e ao risco de sangramento.
6Corrigir anemia, distúrbios hidroeletrolíticos, glicemia e volemia; manejar anticoagulação de forma planejada com a equipe cirúrgica/anestésica.
7Investigar e tratar a causa da queda (ECG, glicemia, exame neurológico, sinais de infecção).
8Cuidado de pele/prevenção de úlcera, avaliação nutricional e planejamento de reabilitação/geriatria (comanejo ortogeriátrico) desde o início.
Exames
Radiografia de bacia e quadril/fêmur; RM ou TC se raio-X normal com forte suspeita clínica (fratura oculta).
ECG e avaliação cardiológica conforme risco; investigar causa da queda quando pertinente.
Tipagem/reserva de sangue conforme protocolo cirúrgico.
Prescrição-modelo
Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.
Dieta
Jejum conforme programação cirúrgica; fora disso, dieta com aporte proteico e hidratação ___
Bloqueio do compartimento da fascia ilíaca (ou PENG) com anestésico local ___ mL de ___ (concentração/dose confirmadas) — analgesia regional de escolha
Paracetamol ___ mg VO/IV ou dipirona ___ mg até ___/___h como base multimodal
Opioide na menor dose eficaz se necessário: ___ mg ___ (evitar excesso pelo risco de delirium)
Profilaxia de TEV conforme protocolo e momento cirúrgico: ___ (ajustar à função renal e ao risco de sangramento)
Manejo perioperatório de anticoagulante/antiagregante de uso crônico conforme protocolo ___
Recomendações
Encaminhar para cirurgia precoce (24–48h) com otimização clínica em paralelo
Aplicar protocolo de prevenção de delirium desde a admissão; evitar contenções e sondas desnecessárias
Priorizar bloqueio regional e poupar opioide
Prevenir úlcera de pressão, mobilizar precocemente e acionar comanejo ortogeriátrico/reabilitação
Investigar e tratar a causa da queda; planejar prevenção de novas quedas e fragilidade óssea
Exames
Radiografia e, se necessário, RM/TC para fratura oculta ___